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Humanização ainda é a maior tendência do marketing para médicos, mas 72% das clínicas nunca mapeou a jornada do paciente

    Metade dos gestores de clínicas e hospitais brasileiros aponta a humanização como a principal tendência do marketing para médicos. É o número mais repetido quando o assunto é o futuro do setor. A mesma pesquisa, porém, traz outro dado que quase nunca entra na mesma conversa: 72% das clínicas nunca mapearam a jornada dos próprios pacientes. Duas informações vindas da mesma fonte, raramente colocadas lado a lado.

    O que a pesquisa mostra sobre humanização no marketing para médicos

    É o que aponta o Panorama das Clínicas e Hospitais (dados de 2024), pesquisa da Doctoralia e da Feegow com 1.048 gestores e profissionais de saúde de todo o Brasil, com informações coletadas entre 15 de agosto e 22 de setembro de 2024. É o levantamento mais recente disponível sobre o setor no país.

    Entre as tendências levantadas, humanização aparece à frente de qualquer outra, citada por 50% dos respondentes. Na prática, metade das clínicas entrevistadas entende que o próximo ciclo do setor vai ser decidido por quem tratar o paciente como pessoa, não como número de agenda.

    A contradição que a própria pesquisa aponta

    O problema não está na resposta sobre tendência. Está no que aparece quando o relatório cruza essa resposta com outras perguntas do mesmo questionário. O resultado expõe uma distância entre o que o setor diz valorizar e o que de fato prioriza no dia a dia.

    Os objetivos do setor apontam para outro lugar

    Os dois objetivos mais citados pelos gestores para o próximo ciclo são aumentar o faturamento (59%) e adquirir novos pacientes (54%). Nenhum dos dois está conectado diretamente à ideia de humanização. São metas de aquisição e de receita, não de experiência.

    A satisfação do paciente nem entra na lista das cinco maiores dores

    Quando a pesquisa pergunta quais são os maiores desafios do dia a dia, a lista é liderada por atrair mais pacientes (33%) e por ter mais pacientes particulares (33%). Nenhum desafio relacionado à satisfação ou à experiência do paciente aparece entre os cinco mais citados. Se humanização fosse prioridade prática, e não só discurso, esse tipo de dor apareceria perto do topo, não fora da lista.

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    Tecnologia é apontada como tendência, mas quase ninguém planeja investir nela

    O mesmo padrão se repete com tecnologia. Inteligência artificial e automação aparecem com destaque entre as tendências citadas. Só que apenas 20% da amostra colocou investir em tecnologia entre os objetivos para o próximo ciclo. O setor reconhece a direção, mas reserva pouco orçamento para segui-la.

    Por que 72% das clínicas nunca mapearam a jornada do paciente

    Mapear a jornada do paciente significa desenhar, etapa por etapa, tudo que ele vive desde o primeiro contato até o retorno para um novo atendimento: a busca on-line, o agendamento, a confirmação, a espera na recepção, a consulta, o pós-atendimento. Sem esse desenho, a clínica não sabe onde a experiência falha. Só percebe o sintoma: paciente que não volta, avaliação ruim, horário vago que ninguém consegue explicar.

    O dado da pesquisa é direto: 72% dos respondentes nunca mapearam essa jornada. É a explicação mais simples para a contradição do capítulo anterior. Não dá para humanizar um processo que nunca foi desenhado no papel. A clínica pode ter a intenção certa e ainda assim operar no escuro.

    Uma parte da explicação está em onde os dados do paciente moram. O agendamento fica no WhatsApp da recepção, o histórico de retorno fica no prontuário, a origem do contato quase nunca é registrada em lugar nenhum. Sem esses três pontos reunidos, não existe jornada para mapear. Existe uma sequência de tarefas isoladas, cada uma resolvida no momento em que aparece, sem ninguém enxergando o conjunto.

    O que aparece quando a clínica olha de perto

    Os 28% que já mapearam a jornada em algum momento foram convidados a apontar as falhas encontradas. As duas mais citadas foram atrasos no atendimento (29%) e dificuldades no agendamento (23%). São problemas operacionais, não emocionais. Não é falta de simpatia da recepção. É processo mal desenhado. Quando o procedimento tem mais etapas entre a consulta e o centro cirúrgico, esse mapeamento fica ainda mais crítico: vale a pena aprofundar em como estruturar a jornada do paciente cirúrgico para ver como esse desenho muda com um funil mais longo.

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    As respostas sobre falhas, aliás, ficaram bastante distribuídas, sem um problema isolado dominando o resultado. Isso sugere que a jornada do paciente não quebra num ponto só. Quebra em vários pontos pequenos, e isso só fica visível quando alguém desenha o processo do início ao fim, em vez de tratar cada reclamação como um caso isolado.

    O que isso significa para quem já investe em marketing para médicos

    Grande parte das clínicas que procura uma agência de marketing médico já roda anúncio, já publica no Instagram, já paga por lead. O problema raramente é falta de tráfego. É o que acontece depois do clique: quantas etapas o paciente percorre até confirmar a consulta, quantas vezes ele repete a mesma informação, quanto tempo espera por uma resposta. Investir mais em aquisição sem corrigir esses pontos aumenta o custo por paciente, porque a mesma verba segue sustentando uma jornada com vazamento.

    Antes de aumentar o orçamento de mídia, faz sentido entender onde a jornada atual está perdendo pacientes que já pagaram para chegar até ali.

    Mapear a jornada é o primeiro passo prático de humanização

    Humanização tratada como conceito solto não muda nenhum número da clínica. Tratada como processo, muda. O primeiro passo prático não é um treinamento de atendimento. É o mapeamento: descobrir em qual etapa o paciente perde tempo, em qual etapa ele fica sem resposta, em qual etapa ele desiste. É esse o raciocínio por trás do pilar de Automação e Humanização do Método PULSAR.

    A automação entra exatamente onde libera tempo, não onde substitui contato humano: confirmação automática de consulta, lembrete de retorno, resposta imediata para dúvidas simples. O tempo que sobra é reinvestido no que só um profissional resolve: a consulta em si, a explicação do diagnóstico, a decisão compartilhada com o paciente. Um exemplo de como isso funciona na prática está em como a humanização escalável blinda o faturamento da clínica.

    Depois de mapeada, a jornada não fica parada. Cada ponto de atrito vira um indicador acompanhado com regularidade: tempo médio de resposta, taxa de reagendamento, faltas por horário. É esse acompanhamento contínuo, e não uma reforma pontual, que sustenta a humanização como prática, e não como frase de campanha.

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    Antes de qualquer campanha prometer mais humanização, vale a pergunta que a pesquisa deixou em aberto: sua clínica já mapeou a jornada do paciente alguma vez? Se a resposta for não, ela está no mesmo grupo dos 72%. E o próximo passo não é uma campanha nova. É esse mapeamento.

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    Perguntas frequentes

    O que é humanização no marketing para médicos?

    É tratar o paciente como pessoa em cada etapa da jornada, não só na consulta. Segundo o Panorama das Clínicas e Hospitais (dados de 2024), 50% dos gestores apontam humanização como a principal tendência do setor, mas a mesma pesquisa mostra que a maioria das clínicas nunca mapeou essa jornada, o que torna a humanização mais discurso do que prática.

    O que é mapeamento da jornada do paciente?

    É o desenho, etapa por etapa, de tudo que o paciente vive desde o primeiro contato até o retorno para um novo atendimento: busca on-line, agendamento, confirmação, espera, consulta e pós-atendimento. Sem esse mapa, a clínica não identifica onde a experiência falha.

    Quais são as principais falhas encontradas quando a clínica mapeia a jornada do paciente?

    Segundo o Panorama das Clínicas e Hospitais, entre as clínicas que já mapearam a jornada, as falhas mais citadas foram atrasos no atendimento (29%) e dificuldades no agendamento (23%). São problemas operacionais, ligados ao processo, não à simpatia da equipe.